PALEONTOLOGIA | Identificada em Pernambuco espécie de tartaruga da Era Paleoceno


Por Eduarda Nunes

Viver no período logo apos à extinção dos dinossauros não-avianos não deve ter sido fácil. Mas, uma pequena tartaruga conseguiu resistir. A prova disso consta da descrição feita pela doutoranda doPrograma de Pós-Graduação em Geociências da UFPE Anny Carvalho. Ao analisar um exemplar fóssil recolhido no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, a pesquisadora concluiu que a Inaechelys pernambucensis viveu e prosperou nos mares pretéritos de Pernambuco há cerca de 62 milhões de anos, quando deve ter compartilhado seu habitat com tubarões vorazes e estranhos crocodiliformes marinhos.

Batizada em latim com a tradução de “rainha do mar de Pernambuco”, Inaechelys pernambucensis media cerca de 50 centímetros de comprimento, vivia em áreas próximas da costa e tinha o hábito de vida provavelmente carnívoro ou generalista. Segundo uma das professoras co-autoras da pesquisa, Aline Ghilardi, “o hábito alimentar generalista poderia ter ajudado na sobrevivência de Inaechelys, pois animais com hábitos alimentares muito específicos costumam ser mais facilmente afetados por grandes mudanças ambientais, como a que ocorreu no final do Cretáceo”, afirma.

O local em que o achado paleontológico estava depositado, na formação Maria Farinha da Bacia da Paraíba, é conhecido pela diversidade de seus fósseis e por registrar o evento em que os dinossauros e outros animais foram extintos, o K-Pg. Essa localidade, aliás, é uma das poucas do mundo onde essa camada fina, que data de aproximadamente 66 milhões de anos atrás, pode ser observada a céu aberto. K é a abreviatura tradicionalmente usada para o período Cretáceo, e Pg é a abreviatura para o período Paleógeno. O fóssil da tartaruga foi encontrado em 2007 por uma equipe de paleontólogos do Laboratório de Paleontologia da UFPE (Paleolab), mas, somente em 2015, foram realizadas as preparações mecânicas para desagregação da rocha que envolvia o fóssil.

METODOLOGIA – A principal metodologia utilizada para identificação e classificação do achado foi o levantamento bibliográfico em artigos, boletins, anais e periódicos científicos, nacionais e internacionais, sobre morfologia, sistemática e paleoecologia, além da distribuição temporal e paleobiogeográfica de quelônios fósseis, especificamente das espécies da subordem Pleurodira. “Os poucos trabalhos que mencionam a existência de tartarugas fósseis encontradas na pedreira Poty, onde aflora a formação Maria Farinha, apresentam poucos detalhes a respeito da anatomia ou uma identificação mais precisa desses animais, além de não realizarem um estudo filogenético”, afirma a doutoranda.

Segundo a pesquisa, a espécie não tem nenhuma relação com as tartarugas-marinhas recentes. Seus parentes viventes mais próximos são todos quelônios de água doce e incluem a tartaruga-de-cabeça-grande-do-Amazonas (Peltocephalus dumerilianus). A família a qualInaechelys pertence, nomeada de Bothremydidae, foi completamente extinta, mas a linhagem foi bastante abundante no passado e a maioria das espécies apresentava hábitos costeiros. “Hoje em dia, as únicas tartarugas que habitam a água salgada pertencem à famíliaCheloniidae“, atesta a paleontóloga Anny Carvalho.

A pesquisa revela, ainda, mais sobre o passado e as mudanças ambientais e ecológicas que a região sofreu. “É sempre importante destacar que conhecer o passado é muito importante para compreender o presente e pensar sobre nossas atitudes e o que poderá ser de nosso próprio futuro e das criaturas com as quais dividimos esse planeta”, comenta a doutoranda. Para a Paleontologia de Vertebrados, área específica da pesquisa, a identificação e classificação desse novo quelônio fóssil amplia o conhecimento sobre a fauna de paleovertebrados de uma formação geológica ainda relativamente pouco conhecida no país.

O artigo que trata da descrição de Inaechelys foi publicado na Revista Zootaxa e conta com a participação de três pesquisadoras da UFPE. A primeira autora é Anny R. A. Carvalho, doutoranda em Geologia da UFPE, acompanhada pelas professoras Alcina M. F. Barreto e Aline M. Ghilardi, também da UFPE.







Com informações da assessoria.













































Post Author: Assessoria

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *