Réquiem para Ariano Suassuna

Obra musical conta a vida do mestre paraibano

Pouco mais de dois anos depois de sua morte, o mestre Ariano Suassuna será homenageado com um réquiem para coro, solistas e orquestra. Composto por Dierson Torres, a obra Um Réquiem Nordestino foi idealizada por Luiz Kléber Queiroz e Flávio Medeiros, professores do Departamento de Música da UFPE, e aprovado no edital FUNCULTURA 2015 para circulação no estado de Pernambuco. Sua estreia será na próxima segunda-feira, dia 3 de outubro, na Catedral de N. S. da Conceição, em Nazaré da Mata, às 18h. A partir de então, o projeto seguirá pelas cidades de Paudalho, Gravatá, Arcoverde, Recife e Caruaru, sempre apresentando-se em igrejas.

A obra reúne não apenas poemas do dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta paraibano (pernambucano de coração) falecido em 23 de julho de 2014, mas também do poeta alagoano Ângelo Monteiro e do Livro do Apocalipse. Todos os textos musicados pelo compositor, regente e professor da UFPE, Dierson Torres. A orquestra de 25 instrumentistas se juntará ao Contracantos, grupo vocal pernambucano criado em 2002 por Flávio Medeiros, além dos cantores que se revezarão nos solos de soprano, tenor e barítono: Virgínia Cavalcanti e Tarcyla Perboire (sopranos), Jadiel Gomes e Eudes Naziazeno (tenores) e Luiz Kleber Queiroz e Anderson Rodrigues (barítonos). Ao todo são 50 músicos – professores, alunos e ex-alunos do departamento de Música da UFPE e convidados.

“Este projeto surgiu da ideia de conectar o universo da cultura popular à música erudita, assim como músicos como Clóvis Pereira e Guerra-Peixe fizeram em parte de suas obras”, comenta Luiz Kleber Queiroz. Ele conta que, para isso, propuseram a Dierson Torres a composição de um Réquiem com características armoriais, baseado em textos do próprio Suassuna. Os textos foram selecionados e ordenados por Flávio Medeiros e pelo próprio Luiz Kleber e ilustram a vida de Ariano desde que saiu do Sertão paraibano até seus tempos em Recife e sua concepção de morte (“… Sou contra a morte e nunca hei de morrer”).

A peça começa com uma abertura instrumental, segue com a entrada do coro, que ambienta a obra e abre espaço para uma narração (ou recitativo), que ilustra o nascimento de Ariano. A seguir, entram em cena tenor, barítono, coro, soprano, cada um deles responsável por delinear uma passagem da vida do dramaturgo (como por exemplo a morte de seu pai, a vida armorial ou o amor).

“A composição é regida também pela relação entre elementos populares e eruditos, retirados do manancial sonoro a que Ariano passou a nomear de ‘Música erudita brasileira baseada nas raízes populares’ – trabalho de pesquisa desenvolvido durante sua atuação como professor da UFPE”, continua Luiz Kleber. Como exemplo, Dierson Torres se utiliza de um coco para musicar o poema “Abertura sob pele de Ovelha”. Dierson utilizou referências variadas em sua composição. “Utilizei temas do folclore nordestino, assim como citações de Britten, Shostakovich, bem como os temas dos personagens do Auto da Compadecida, de Sérgio Campelo e Dimas Sedícias”, afirma o compositor.

Os concertos serão precedidos por uma pequena explanação, apresentando ao público aspectos do Movimento Armorial, bem como narrativas da vida e obra de Ariano Suassuna. Todas contarão, ainda, com uma intérprete de libras.




Com informações da assessoria.























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